E se...
(Mária Santos Neves)
Já pensou poder rebobinar a vida? Rewind, reset, voltar atrás, começar de novo.
Dar pause, seguir em frente.
Colocar um freeze nos momentos mais importantes. Paralisar.
Pra poder saborear cada ruguinha do sorriso, cada sinalzinho do rosto.
Já pensou poder congelar a imagem enquanto pensamos se vale a pena prosseguir naquele caminho ou virar em outra direção?
Voar pra Inglaterra ou plantar laranjas em Iconha?
Ter cinco filhos ou uma grande empresa?
Pedir um time break antes de escolher qual vida você quer ter,
como diria aquele antigo compositor: - Pare o mundo que eu quero descer!
Quantas vezes tentei imaginar como seria a vida que não vivi, usando aquela expressão mágica: - E se...
E se ao invés de responder, eu tivesse me calado?
E se ao invés de chorar, eu tivesse sorrido.
Se ao invés de partir, houvesse permanecido?
E se eu tivesse perdoado? E se eu não tivesse esquecido?
Quantas vezes pedi por outra realidade,
como naquele lindo verso de Beto Guedes
- Oh, minha estrela amiga, por que você não fez a bala parar?
Mas a bala não parou. E o sonho acabou.
Já imaginou poder dar rewind antes das torres gêmeas caírem?
Ou mover o relógio para trás antes que alguém insano jogasse
uma linda menina do alto de um prédio?
Bastaria um mísero segundo, uma única e definitiva chance de fazer certo.
Chame de qualquer coisa: a mão de um anjo ou o toque de uma campainha.
Chame de acaso, sorte ou destino.
Chame de obra de Deus.
Saber que o que vai não volta, dói.
Mas é isso que nos dá ainda mais vontade de fazer certo, desta vez.
Porque só existe esta vez.
Só existe esta vida.
A outra, se houver, será a outra.
A que passou, ninguém traz de volta.
Não vai existir outro você.
E já que não dá pra rebobinar, quero poder dizer o que tiver que ser dito.
Amar o que tiver para amar.
Sentir todas as emoções como o Roberto.
Chorar todas as lágrimas de amor, alegria, dor.
Viver, respeitar, errar por inocência e não por vontade - e ser verdadeiramente humana.
Porque não tem jeito de se escrever uma vida nova
e nem há borracha que apague uma vida mal vivida.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Sapos
Felizes para sempre
é coisa que não existe
em meu vocabulário
Tenho sede de verdades
e medo gritante de alegrias.
Desconfio de contos de fadas
e crônicas de feiticeiros
e estou mais para bruxa
que Cinderela,
ainda que às vezes
me escape o senso crítico
e eu me descubra sonhando
com abóboras encantadas.
Sou daquelas que ficam sem graça
quando chamadas de bonitas
e pra não entregar meu coação
de mão-beijada,
fujo apressada
antes da meia-noite.
Todos os meus príncipes
revelaram-se vampiros,
castelos, só conheço os de cartas
- e todos desabam no final.
Mas existem noites
dessas assim, de lua cheia,
em que eu sento no parapeito
dajanela
e a rua lá embaixo vira um convite.
Aí eu respiro fundo,
recolho meus sonhos
e desço para a vida,
a procura de mais um
"era uma vez..."
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