Eu estava naquele ambiente asséptico, com paredes brancas, teto branco, tudo branco. Olhava para cima e via apenas uma lâmpada muito clara. Diante de mim, um pano verde, uma espécie de cortina, eu deitada e do pescoço para baixo, a vida cumprindo seu curso. Eu estava ali para receber um presente: meu primeiro filho. Tanta coisa passa na cabeça da gente nesse momento. Até chegar ali tudo tinha sido uma festa. A barriga crescendo mês a mês, a ansiedade também. Mais azia, mais medo, mais dúvidas, mais alegrias. Tudo mais, sempre cada vez mais. Eu tinha falado tanto com aquele serzinho, tantas vezes ao dia. Tinha me emocionado incontáveis vezes ao imaginá-lo crescendo dentro de mim, sentindo o primeiro comichão que dizia que ele estava vivo. Eu tinha amado tanto aquele ser que nem ao menos conhecia. E era tão forte aquele sentimento, que naquele momento tudo se multiplicou por mil.
Em poucos segundos ele estaria para sempre em minha vida. Nunca mais eu seria sozinha. Nunca mais seria só eu. Eu era mãe. Os movimentos da cesárea, médicos e enfermeiras cumprindo os procedimentos corriqueiros, nada disso tirou o brilho do momento mais importante da minha vida; senti um puxão mais forte e logo meu filho já estava ali. Foi nesse momento em que o médico trouxe o bebê lourinho, com a cara amassada,de olhos fechadinhos, e encostou em meu rosto para que eu o sentisse. Chorei de emoção. Rapidamente ele foi levado de mim para ser examinado e então pude ouvi-lo aos berros pelos corredores, gritando a plenos pulmões como se dissesse: - Estou vivo! Estou vivo! Eu fiquei ali um tempo depois, esperando a anestesia passar, ouvi as enfermeiras falando, falando ao meu lado, meio entorpecida, nada sentia. Mas tinha minha alegria particular: eu agora sabia a razão pela qual eu viveria dali para frente: para amá-lo.
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