segunda-feira, 16 de maio de 2011
Um bebê que nasce.
Um bebê que nasce é uma folha de papel em branco.
Nele nada foi escrito.
Não foi marcado por histórias. Não teve sorrisos ou lágrimas.
Ainda não descobriu que o mundo é lindo como uma flor cheia de orvalho.
E feio como a fome.
Um bebê que nasce ainda não foi marcado por frustrações e alegrias.
Ainda não teve a oportunidade de sentir que abraço de mãe é gostoso pra caramba, quando se tem medo do escuro.
E que mãe pegando no pé por causa do primeiro namorado também pode ser muito, muito chato.
Um dia irá entender– com misto de surpresa e decepção - que ele não é a única pessoa do universo. E que nem sempre um simples chorinho vai conseguir realizar os incontáveis desejos que terá ao longo da vida.
Mais do que isso, vai descobrir que existe um mundo além do seu umbigo.
E que nele não vem pregado um sorriso benevolente de mãe.
Um dia ele chegará à conclusão de que o mundo não é assim tão fácil de se conquistar.
E que não basta apertar um botão e – click – tudo voltou ao que era antes.
Irá se surpreender ao ver que tempo perdido é (mesmo) tempo que não volta mais.
Lembrará com saudades de seus joelhos ralados exatamente quando começar a sentir aquela dorzinha nas costas na hora de levantar da cama.
Um dia olhará nos olhos de outro bebê e lembrará que um dia já foi pequeno assim e que não conseguiu ainda virar adulto mesmo depois dos 50 anos.
Um bebê que nasce ainda não folheou nenhuma página de sua vida.
Não aprendeu, não errou, mas também não acertou.
Para ele tudo (ainda) é aceitável e desculpável.
Mesmo derrubar o pratinho de sopa no chão ou rabiscar de caneta colorida a parede do quarto.
Ainda não sentiu dores, a não ser aquela da primeira golfada de ar.
Não sentiu ainda o coração bater apertado quando o filho vai pra escola pela primeira vez. E também não sabe que estranha cumplicidade o fará entender seu pai somente no dia em que tiver seu próprio filho.
Certamente ele no futuro descobrirá algum talento, irá se vangloriar dos acertos, esconder os fracassos, contar vantagens e mentiras. Terá dores de cabeça e de cotovelo. Talvez quebre o dente pulando sela ou talvez nunca descubra o prazer de tirar fruta do pé.
Um bebê que nasce é um livro onde o mundo não escreveu uma palavra sequer.
Mas quantas e infinitas possibilidades se delineiam em seu primeiro olhar.
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