Queria renascer pedra.
Pedra não se move, não se comove.
Não chora de amor.
Pedra não sente frio nem calor.
Não alimenta expectativas que não se cumprem.
Pedra fica paradinha lá, vendo o tempo passar.
Pedra, aliás, tem todo o tempo do mundo.
Pedra não sente culpa, não sente o coração
esmigalhado de remorso.
Não tem que acordar de manhã
sem vontade de sair da cama.
Não sente dor de barriga.
nem pega trânsito engarrafado.
Não engole amor mal temperado.
Pedra não precisa pensar, nem agir.
Não tem contas a pagar nem dívidas a acumular.
Não tem que fazer escolhas de Sofia.
Pedra é pedra. E ponto.
Pedra não magoa ninguém, nem se deixa ferir.
Sua rotina não muda no entra e sai dos dias.
E – suprema dádiva -
jamais conhecerá a dor de viver.
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